Cadeiras ergonômicas: quais são os benefícios e como escolher

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Você, provavelmente, já deve ter ouvido falar da importância de dormir em bons colchões e travesseiros para evitar dores e lesões musculares. Mas você sabia que trabalhar em cadeiras ergonômicas, seja em empresa, seja em home office, também é igualmente crucial para manter o bem-estar?

Pois é! Se a média diária de horas que passamos dormindo e trabalhando é quase equivalente (cerca de 8 horas), então a atenção que devemos dispensar para a qualidade dos itens de cama e de escritório deve ser a mesma. Infelizmente, contudo, muitas pessoas ainda não entenderam o quanto cadeiras de escritório confeccionadas com conceitos de ergonomia impactam na qualidade de vida do usuário.

Foi pensando nisso que resolvemos elaborar este artigo explicando todos os benefícios em escolher cadeiras ergonômicas e quais são as características dos principais modelos, ajudando você a optar pela cadeira que melhor atenderá às suas necessidades! Vamos lá?

O que é ergonomia, afinal de contas?

É muito comum que muitas pessoas utilizem e reproduzam o termo “ergonomia” sem saber ao certo do que se trata (e ainda há aquela parcela de pessoas que nunca sequer ouviu falar nesse conceito).

No nosso dicionário, o significado de ergonomia está descrito como: “melhoria das condições de trabalho, através da utilização de mecanismos tecnológicos e/ou do uso de desenho industrial”. Se essa definição ainda deixou você um pouco confuso, fique tranquilo, pois, a seguir, explicaremos como surgiu e em quais contextos a ergonomia é aplicada hoje em dia.

Breve história da ergonomia

Apesar de não existir nenhum documento oficial com o período exato da história no qual a ergonomia foi criada, sabe-se que ela tomou uma proporção muito maior na época conhecida como “era de ouro do capitalismo”, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Isso porque, nesse período, começou a surgir uma interação maior entre o homem e as máquinas por meio de suas atividades profissionais. Assim, houve a necessidade de desenvolver maneiras para garantir que essa relação não prejudicasse a saúde dos funcionários, que, naquela época, eram majoritariamente operadores industriais.

Dessa forma, em 1949, K.F.H. Murrel, um engenheiro inglês, fundou a “Ergonomic Resarch Society”, sendo considerada a primeira sociedade mundial de ergonomia. Nos anos seguintes, os países mais desenvolvidos e com mais poderio industrial da época, como Alemanha, França, Japão e Estados Unidos, criaram suas próprias sociedades nacionais de ergonomia.

A unificação de todo o conhecimento e pesquisas sobre o tema surgiu em 1959, com a criação da “International Ergonomics Association” (Associação Internacional de Ergonomia). No Brasil, só passamos a ter a nossa própria em agosto de 1983, com a Associação Brasileira de Ergonomia.

Diferentes direcionamentos da ergonomia

Na metade da década de 1980, a ergonomia passou a seguir por dois caminhos diferentes, dando início a dois segmentos: a europeia e a americana.

  • Americana: a preocupação é quase que totalmente voltada para os aspectos fisiológicos, sensoriais e anatômicos do ser humano no ambiente de trabalho, com o objetivo em deixar o trabalhador confortável em sua mesa ou estação de trabalho, de modo que ele tenha maior produtividade e eficiência. Os testes são feitos em laboratório, com simulações de atividades corriqueiras no ambiente corporativo.
  • Europeia: diferentemente da americana, ela é feita por meio da tentativa e do erro, ou seja, em condições totalmente reais. A partir de análises e feedbacks dos próprios trabalhadores, são feitos os ajustes, com foco na resolução de problemas e no impacto para a corporação.

As fases da ergonomia

Em 1993, alguns pesquisadores classificaram a ergonomia em 4 fases diferentes.

1° fase: ergonomia tradicional

Iniciou logo após a Segunda Guerra Mundial e teve como objetivo o redimensionamento das estações de trabalho, ambicionando melhorar o bem-estar do colaborador para que ele não trabalhasse além de sua capacidade física e mental. Essa fase foi, inicialmente, implementada na área militar e, depois, estendida para a civil.

2ª fase: ergonomia do meio ambiente

Nessa fase, foi constatado que alguns agentes ambientais, como barulhos, iluminação e temperatura, afetavam — e muito — a produtividade dos trabalhadores. Dessa forma, uma maior atenção com a questão ambiental foi dispensada, inclusive com a utilização de matérias-primas em mobílias de escritório que não poluíssem o meio ambiente e não promovessem grande devastação de florestas e ecossistemas.

3ª fase: ergonomia cognitiva

A ergonomia cognitiva trata-se, em suma, da junção da área da psicologia com a fisiologia humana. Assim, os conhecimentos dessas duas áreas uniram-se para desenvolver técnicas para melhorar a cognição no ambiente de trabalho, como o raciocínio, a memória, a comunicação etc. Para que o colaborador possa desenvolver plenamente todos esses fatores, percebeu-se que era necessário um posto de trabalho adequado e ergonomicamente pensado de acordo com suas necessidades.

4ª fase: macroergonomia

Como o próprio nome já diz, essa fase mudou a perspectiva da ergonomia, que passou de micro para macro, aumentando seu campo de atuação e a sua importância perante empresas de todos os portes. O objetivo fundamental é conscientizar as corporações de que é preciso utilizar a ergonomia em absolutamente todos setores e escalas, desde o desenvolvimento de máquinas e matérias-primas até a realização das atividades laborais.

Como foi desenvolvida a primeira cadeira de escritório ergonômica?

A primeira cadeira ergonômica foi apresentada ao mundo em 1976, pelo designer americano Bill Stumpf . Batizada de Ergon, a cadeira demorou cerca de 10 anos para ficar pronta, sendo um divisor de águas no conceito de móveis de escritório.

A principal motivação de Bill ao desenvolver a Ergon foi constatar que a maioria dos trabalhadores americanos utiliza cadeiras desconfortáveis e obsoletas, o que lhes rendia dores na coluna, nos braços e na lombar. Por isso, o designer sentiu que havia necessidade de criar algo novo que melhorasse o bem-estar dos funcionários, o que, por consequência, também aumentava sua produtividade.

O conceito de “conforto” foi a base durante os quase 10 anos que Bill passou desenvolvendo a cadeira, chegando à conclusão de que a configuração do corpo humano não era formada por linha retas e, sim, por curvas (chamado de biomorfismo). Partindo dessa premissa, foi decidido que as cadeiras seriam desenvolvidas como uma metáfora do aspecto do corpo humano, tanto em sua forma visual como tátil.

Para aprimorar ainda mais suas técnicas, Bill Stumpf se aprofundou ainda mais no estudo da forma humana, realizando pesquisas com médicos ortopedistas e cardiovasculares, porque ele entendeu que os efeitos das cadeiras podiam afetar não somente a musculatura, mas também todo o sistema circulatório.

Assim, depois de muitos testes e análises, foi criada a Ergon, a primeira cadeira ergonômica do mundo. A partir dela, diversos outros projetos de cadeiras ergonômicas foram executados, sendo uma ciência que, até hoje, não parou de se desenvolver.

Como reconhecer cadeiras ergonômicas e escolher a ideal?

O primeiro passo para escolher a cadeira ergonômica que mais atenderá às suas necessidades é levar em consideração o perfil do usuário e a função que ele exerce. Partindo desse princípio, será possível escolher o melhor modelo, que deve conter os mecanismos básicos para que ele desempenhe suas atividades com plenitude.

É primordial que também seja verificado se a cadeira está em conformidade com a norma técnica NR 17, que define parâmetros mínimos de conforto e segurança, permitindo que os funcionários tenham condições de trabalho condizentes às suas funções e características físicas e psicológicas.

Além disso, outra questão levada em consideração é a hierarquização, já que diferentes modelos de cadeiras são escolhidos com base em diferentes cargos. Há cadeiras operacionais, executivas e utilizadas em cargos de diretoria. Contudo, hoje em dia, muitas empresas estão abandonando essa prática, escolhendo modelos de cadeiras equivalentes no quesito qualidade para todos os colaboradores, independentemente de suas funções.

Saiba distinguir cadeiras de computador comuns das ergonômicas

Em geral, as cadeiras de computador comuns não permitem que o usuário ajuste diferentes alturas (ou, se permitem, é algo muito básico, com apenas duas possibilidades). Além disso, os materiais com quais são confeccionadas não apresentam uma boa confortabilidade, sendo mais duros e de baixa qualidade.

Assim, existem critérios que precisam ser analisados ao adquirir cadeiras de escritório. Veja alguns deles!

Altura do assento

Considerando os diferentes biotipos e estaturas, a NR 17 estabelece a obrigatoriedade do ajuste de altura em uma cadeira para escritório. Assim, o valor mínimo de ajuste de altura entre o piso e a superfície do assento deve ser de mínimo 37 cm e máximo de 50 cm.

Bordas frontais

A NR 17 também exige que as bordas frontais das cadeiras tenham formatos arredondados para que não machuquem os membros inferiores dos usuários.

Largura

A largura mínima de uma cadeira ergonômica deve ser de 40 cm, além de levar em consideração o perfil e peso do usuário.

Profundidade

Na profundidade, é preciso ponderar a estatura do usuário para que suas pernas sejam mais bem acomodadas. A NR 17 estabelece uma profundidade mínima de 38 cm.

Matéria-prima

O material utilizado para a confecção da cadeira deve permitir que o corpo transpire, ou seja, consigua absorver o suor. Além disso, também deve ter assento estofado e superfície lisa, de modo que não provoque marcas ou arranhaduras no corpo.

Suporte de lombar

A cadeira deve ter uma proteção para a região lombar, com um formato anatomicamente adequado e que permita ajuste de altura.

Mecanismo back system

O mecanismo back system deixa que o usuário ajuste o encosto de suas costas em até 3 posições diferentes, respeitando suas características físicas e reforçando ainda mais a proteção da região lombar.

Sistema SRE

A sigla SRE significa Sistema Reclinador de Encosto e proporciona alívio aos músculos tensionados das costas já que propicia o alongamento da coluna. É um mecanismo muito importante para evitar dores e lesões musculares.

Apoio para membros superiores

Uma cadeira ergonômica deve possibilitar que o usuário apoie os braços, ajustando-os conforme achar necessário. Esse ajuste deve ter entre 20 e 25 cm, contando partir da superfície da cadeira. O apoio para os braços ajuda a impedir que lesões no punho e no braço apareçam, como Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculoligamentares (DORT).

Vale ressaltar que a NR 17 estabelece que o apoio para os braços não pode impedir que a cadeira se aproxime da mesa, ou seja, precisa ficar mais baixo que a altura dela.

Rodas

Para ser considerada ergonômica, a cadeira precisa ter rodízios e apoio em cinco pés. Além disso, é necessário que ela tenha estabilidade de modo que a ela não se desloque involuntariamente, mesmo que o usuário tenha o hábito de inclinar o corpo para trás. O fabricante precisará garantir que a cadeira se mantenha estável a despeito dessas práticas (dentro, é claro, de um limite aceitável).

Certificados

Para não haver dúvidas de que se trata de uma cadeira ergonômica, é importante verificar se ela possui todos os selos e certificados exigidos pela nossa lei, como a NR17, ABNT, NBR 13962, INMETRO etc.

Quais são os benefícios de uma cadeira de escritório ergonômica?

Um dos maiores benefícios em utilizar cadeiras de escritório ergonômicas é prevenir a fadiga dos colaboradores, já que isso ocasiona a queda da produtividade e predispõe o trabalhador a acidentes e doenças, muitos vezes, advindos de estresse e sobrecarga.

Uma das condições mais comuns é a chamada LER, que já foi mencionada em um dos tópicos. Trata-se de lesões em músculos, tendões e ligamentos, causadas por movimentos repetitivos no dia a dia de trabalho e posição incorreta por longas horas.

O trabalho estático (ficar em uma posição fixa) por períodos longos também pode causar problemas, como uma condição chamada fadiga neuromuscular, que causa sintomas como formigamento, dor, sensação de peso nos membros, cansaço etc.

Como visto, investir em cadeiras ergonômicas nos escritórios é algo que vai muito além do corporativismo, esbarrando em questões de ordem humanitária. Assim, além das cadeiras, é importante manter a ergonomia em todas as estações de trabalho, levando em consideração mesas, banheiros, vestiários, salas de refeitório, poltronas para descanso, sofás. Enfim, todos os ambientes devem prezar pelo conforto e bem-estar do maior patrimônio de qualquer empresa: os funcionários.

Então, gostou de saber um pouco da história da ergonomia e as dicas de como escolher uma boa cadeira de escritório? Aproveite e entre em contato conosco para conhecer melhor nossas opções de cadeiras e poltronas!

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